sábado, janeiro 19

Há um limite para a vida?

"Amanhece. De súbito, pôs-se uma luz cálida e brilhante!...Não sei como é, mas em Roma passa-se assim, quase insensivelmente, da noite ao dia. Espera, levanto a persiana. Olha as duas laranjeiras debaixo da janela. Tem cada uma, precisamente, duas laranjas. São laranjas secas e engelhadas, tal como as que crescem aqui na cidade.
Tal como quando se envelhece e os nossos sentimentos se tornam, um dia, pensamentos."

Sándor Márai in A mulher certa

Um romance belíssimo que estou a acabar de ler.
Um escritor que estou a descobrir.
Em páginas avassaladoras, Márai fala-nos do amor, da amizade, do ciúme, da solidão, do desejo e da morte e aponta directamente ao centro da alma humana.

A última frase deste excerto levantou-me, no entanto, uma interrogação: a partir de uma certa idade, e qual é ela, estamos condenados a viver apenas de recordações?
Recuso-me a aceitar que assim seja...

13 Comments:

Blogger wind said...

Eu também recuso, mas falando com idosos, muitos deles falam de recordações e pela positiva até nos podem ajudar.
Não sei se me expliquei bem:)
Beijos

9:33 da manhã  
Blogger Sirk said...

E fazes tu muito bem.

Contrariar o muito provável dá um gozo do caraças.

Bom domingo, Andorita.

:)

12:06 da tarde  
Blogger LNeves said...

Acho que, chegando a uma certa idade, não vives de recordações, mas sim fazes uma alanise do que viveste!!! Quando vês ag mais velho a contar a história da sua vida com um sorriso nos lábios é bom sinal... é sinal que a sua vida foi bem vivida, bem aproveitada!!! Isso sim é o mais importante... Analisar e perceber que vivemos realmente!

***MUAH*** bom domingo

4:14 da tarde  
Blogger AMMedeiros said...

Do mesmo autor (de uma escrita absolutamente extraordinária) li o livro intitulado "As velas ardem até ao fim"... recomendo-o a quem goste deste autor e ainda não o tenha lido.

Quanto à questão aqui levantada por esta querida Amiga, penso que:
Quando nos condenamos a viver apenas de recordações, efectivamente passa a existir e a determinar-se essa idade, e é precisamente a partir dela que somos velhos, independentemente da idade que tenhamos de facto...

Um beijo e um abraço (Do Herói e meu)

PS: Saiu do internamento e já vai à escola!!! Cheio de coragem... ;)))

7:02 da tarde  
Blogger O Profeta said...

Inventei uma cidade colorida
Pintei um lago ao pé da tua porta
Coroei-te com diadema de sal
Lancei à sorte esta folha já morta


Boa semana



Doce beijo

9:44 da manhã  
Blogger Rosa said...

Claro que não. Não só de recordações, mas, inevitavelmente, também de recordações.
Big kiss.

12:40 da tarde  
Blogger Lux Caldron said...

Eu acho que há pessoas que chegam a uma certa altura e se deixam ficar a viver de recordações. Afinal e nem é tão estranho assim considerando que há pessoas que passam a vida toda sem viver. Mas também há outras que até ao final dos seus dias se recusam a deixar de viver. São aquelas que tenham a idade que tiverem são jovens sempre e mantêm na alma uma ânsia por sonhos!

Dark kiss*

PS:Então olha lá o gajo(a) diz que o amanhecer é estranho e que passa da noite ao dia de repente e depois: "Espera, levanto a persiana"!!! O gajo(a) que não acorde ao meio-dia para levantar a persiana... depois acha estranho passar de repente da escuridão para a luz :)

1:26 da manhã  
Blogger Ariel d'Angouleme said...

E esta:
"Viver de pensamentos é uma morte prematura." ;)

Beijos*

11:16 da manhã  
Blogger Klatuu o embuçado said...

O excerto é convidativo.

9:55 da manhã  
Blogger Su said...

amiga...........estamos a ler o mesmo.....há coincidencias

jocas maradas de leituras

8:09 da tarde  
Blogger andorinha said...

WIND,
Entendi-te, sim.
Claro que se aprende muito a lidar com idosos com toda a sua experiência de vida.
Mas nós,mesmo à medida que a idade avança, podemos viver não só de recordações, podemos continuar a VIVER porque a vida só acaba se nós quisermos.
Beijo

Sirk,
Eu sei que faço:)
Bom fds, cachopa.

Ineves,
"Analisar e perceber que vivemos realmente."
Sim, mas vivemos não só no passado, mas continuamos a viver.
Recordar é viver, mas quanto a mim não basta.

Ammedeiros,
Concordo totalmente contigo.
Quanto ao livro, obrigada pela sugestão. Vou lê-lo em breve.

Dois grandes beijos.

O Profeta,
Obrigada pelos versos, lindos.
Bom fds:)
Beijo

Rosa, Até que enfim que concordamos nalguma coisa...:)
Beijocas

Lux,
Tens toda a razão, amigo.
Quando deixamos de sonhar, aí a velhice invade-nos.

P.S. O gajo é parecido com alguém que eu conheço:)
Sempre que posso, só levanto as persianas a essa hora...mas isso é a minha preguicite crónica.
Acho que está a piorar com a idade:))))))

Beijo*

Ariel,
Eu diria: Viver SÓ de pensamentos...
Beijo*

Klatuu,
:)
Já nem um dark kiss mereço?:(

Beijo*

Su,
Já acabei de ler. Gostei imenso.
jocas maradas...de boas leituras

11:22 da tarde  
Blogger Antígona said...

Gostei muito do excerto.
:)
Eu tenho medo disso...de um dia ser apenas um reflexo do meu próprio passado.
Mas se pensarmos, existem sempre duas escapatórias possíveis: a morte imediata, ou o refúgio da nossa imaginação, que nos leva a viver de recordações sem nos apercebermos disso, como forma de nos protegermos do mundo...
Mas eu sou verde, não sei o que é ser Tão Mais Tão Grande e Sábio e Tudo como a senhora minha amiga... :)

Beijinho grande*

6:45 da tarde  
Blogger Jeust said...

"Tal como quando se envelhece e os nossos sentimentos se tornam, um dia, pensamentos."

"a partir de uma certa idade, e qual é ela, estamos condenados a viver apenas de recordações?
Recuso-me a aceitar que assim seja..."


Eu ainda não cheguei lá... ou talvez já tenha chegado e voltado... mas penso que começamos a viver nas nossas recordações, quando renegamos o presente e a réstia de vida que temos, e nos apresentamos perante a morte.

Agora cada um escolhe o seu momento, se tiver tempo de decisão isto é...

:p

Beijinhos e abraços

e um beijinho grande para a andorinha :)

10:05 da tarde  

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