quarta-feira, junho 29

Libertação feminina...

Qualquer mulher iraniana tem de tapar a cabeça com um véu. Também assim é com Laleh Seddigh, com a diferença de ela o usar sob o capacete, quando participa em corridas de automóveis. Se sobe ao pódio, ladeada por homens, não pode falar-lhes nem sorrir-lhes, mas nada disso a impede de ser a melhor piloto de automóveis iraniana.
Laleh simboliza a possibilidade de abertura num regime fundamentalista, mas, também, um rosto do que pode ser a resistência e a vontade de afirmação das mulheres.
Não é fácil simbolizar a libertação feminina, num país onde as mulheres podem divorciar-se, mas perdem sempre a custódia dos filhos, e podem testemunhar em tribunal, sabendo que a palavra de um homem vale o dobro.

Notícia do JN.

Até quando perdurarão estas diferenças?
E que dizer da luta destas mulheres, verdadeiras heroínas?

6 Comments:

Blogger Pamina said...

Em Portugal, nos tempos da "outra senhora", a mulher casada tinha que ter uma autorização do marido para passar a fronteira, não podia ser juíz nem embaixadora, etc., etc. Qual era a justificação para estas restrições na Costituição de 1933? A natureza da mulher e o bem da família. Com a instauração do regime democrático, claro que isto se modificou.

No caso dos países islâmicos, parece-me muito difícil a igualdade de direitos entre homens e mulheres, enquanto não houver uma separação entre a religião e o estado.
É também uma opressão muito difícil de combater nos países europeus onde vivem famílias islãmicas, exactamente porque se justifica este tratamento da mulher com a religião.
Assisti na Holanda a uma pequena discussão (civilizada, sem gritos) entre o marido de uma mulher islâmica e uma vendedora de uma loja. Estava um calor enorme e a claro que os holandeses aproveitam todos os bocadinhos de sol, portanto andava tudo com muito pouca roupa, enquanto a mulher islâmica estava quase "camuflada" debaixo de um género de bata até aos pés e dum lenço enorme.
A vendedora começou a dizer ao marido que não era bom andar assim vestida com tanto calor, etc. Ele respondeu "nós somos diferentes, é a nossa religião." A partir daqui é muito difícil argumentar, porque se é acusado de atentar contra a liberdade religiosa.

7:55 da tarde  
Blogger andorinha said...

Pamina,
Pois é...também me lembro desses tempos. Tudo isso parece hoje em dia tão absurdo...
E enquanto se justificarem comportamentos com base em motivos religiosos é difícil que haja uma mudança.
Essa história que contas é elucidativa.
Quando a religião serve de álibi é complicado interferir e assim se vão perpetuando as desigualdades.
Faz-me lembrar também o caso das testemunhas de Jeová que não aceitam transfusões de sangue e nem aos médicos é dado o direito de intervirem mesmo em crianças e mais uma vez tudo é justificado com base na religião.

11:11 da tarde  
Blogger Pamina said...

Andorinha,

Há também uma seita na Holanda cujos membros se recusam a vacinar as crianças. Quando se tenta discutir com eles, dizem que não precisam de vacinas, porque Deus protege as crianças. Se se responde "isso é um disparate", claro que eles argumentam "como é que sabe? Você pode não ter fé, mas nós temos." Isto torna a discussão impossível.
A propósito de seitas, lembrei-me que há comunidades ultra-religiosas nos Estados Unidos (sem ser os Amish), onde as raparigas estão também sujeitas a regras muito severas relativamente ao vestuário, comprimento do cabelo, etc. Vi uma reportagem sobre isto. É muito difícil elas sairem de lá e há agentes especiais do FBI que ajudam a realojar as que querem/conseguem partir.
Voltamos assim, à necessidade da separação entre "as igrejas" e o Estado.
O que se passa nos países que se regem pelas leis islâmicas é o mesmo que se passava aqui durante a Inquisição. O mundo cristão já foi tão ou mais intolerante do que o mundo fundamentalista islâmico. Só que as coisas evoluiram e em muitos desses países não. Em alguns até regrediram.

12:15 da manhã  
Blogger Anna^ said...

Infelizmente esta é uma luta muito desigual...ainda!!
Mas baixar os braços é que não!

bjokas ":o)

12:22 da tarde  
Blogger andorinha said...

Pamina,
Como dizes, basear a discussão em aspectos religiosos torna-a impossível.
Por tudo isso é fundamental a separaao entre as igrejas e o Estado, sem dúvida.

Anna^,
Baixar os braços, nunca.
Beijinho

6:46 da tarde  
Blogger andorinha said...

Pamina,
separação e não separaao.:(

6:47 da tarde  

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