terça-feira, junho 21

A alma ...

"Quantas vezes ouvi na infância: "As crianças não pensam." As crianças pensam. A criança imersa no seu ambiente participa num processo maior do que ela, no qual desabrocha com pouca consciência. Porém, ela tem algo mais valioso do que a consciência: tem a intuição de tudo, tem o saber inocente.
Perderemos essa sabedoria da inocência na medida em que formos domesticados, necessariamente encaixados na realidade à nossa volta.
Queiram os deuses que nesse processo de domesticação sejamos capazes de preservar a capacidade de sonhar. Pois a utopia será o terreno da nossa liberdade. Ou acabaremos como focas treinadas, cumprindo correctamente as nossas tarefas, mas soterrando aquilo a que chamamos psique, eu, self, ou simplesmente alma.
Seremos roídos pela futilidade, tão mortal quanto a pior doença: ataca a alma, deixando-a porosa e quebradiça como certos esqueletos.
A alma com osteoporose."

Lya Luft, Perdas e ganhos

4 Comments:

Blogger Pamina said...

Olá,

Fizeste-me pensar no poema "Pedra filosofal". Foi uma das primeira canções portuguesas que o pai do Viktor entendeu (mais ou menos) e ficou fascinado.

"A utopia será o terreno da nossa liberdade". É uma frase muito bonita.

7:41 da tarde  
Blogger andorinha said...

Olá Pamina,
Ai a "Pedra filosofal", uma das canções mais belas de Manuel Freire!
Estou a reler este livro e achei este excerto muito interessante.
A frase que destacas é realmente muito bela e significativa.

10:06 da tarde  
Blogger Mitsou said...

O que eu acho triste é essa perda da inocência, da capacidade de sonhar, acontecer cada vez mais cedo. Ou estarei errada? Haverá ainda, para a imaginação e para o sonho, estímulos suficientes? Ou estará esse departamento também já rendido pelo fast-living? Beijinhos, linda.

10:54 da tarde  
Blogger Maite said...

Boa tarde Andorinha
Acredito que o ser humano encontrará sempre formas de se elevar da realidade "nua e crua", nem que seja momentaneamente. Mas como sabe eu sou uma optimista:)

12:19 da tarde  

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