quarta-feira, junho 15

Patriotismo

Li hoje duas afirmações sobre patriotismo que me fizeram reflectir.

"To me, it seems a dreadful indignity to have a soul controlled by geography". - George Santayana.

"You'll never have a quiet world till you knock the patriotism out of the human race". - Bernard Shaw.

Não acham um bom ponto de partida para uma discussão?

9 Comments:

Blogger Pamina said...

Olá Andorinha,

Tocas aqui num tema que me é muito caro desde a adolescência. Depois de ler o teu post, fui procurar numa caixa de cartão umas "coisas" que escevi com 17/18 anos.
Dizia lá que se deveria lutar por uma menor desigualdade social e por uma união dos povos com abolição de fronteiras (na altura os escritos de Marx eram proíbidos, portanto não foi daí que vieram estas ideias).

Acho que é preciso conciliar um "orgulho saudável" e não exacerbado pela "nossa terra" com a amizade por outros povos, o que não é fácil.
O mundo de hoje está muito complicado, com uma enorme multidão de excluídos que querem entrar para a "nossa" parte deste mundo, com problemas como o terrorismo e os fundamentalismos religiosos, etc, etc.

Lembrei-me destas frases do Imagine:
"imagine all the people living life in peace/ you may say I'm a dreamer, but I'm not the only one/ I hope some day you will join us/ and the world will live as one..."

10:15 da tarde  
Blogger andorinha said...

Olá Pamina,
Confesso que na minha adolescência este tema não me dizia muito.
Com 17 anos já pensavas assim? Admiro-te por isso.
Hoje sim, interesso-me por este tema e penso muitas vezes o que é o patriotismo, o que é o ser-se Português.
É a geografia que nos condiciona? A cultura? A língua? É o quê, afinal?
Para mim é fácil a amizade por outros povos, até porque não sinto um particular orgulho em ser portuguesa. Não será nem bonito nem politicamente correcto dizer isto, mas é o que sinto.
Sinto que em muitas coisas não me identifico com este país e nem sei bem explicar porquê, porque só vivi um ano fora de Portugal.

Quanto à afirmação de Bernard Shaw, muitos conflitos se evitariam se a noção de patriotismo não fosse tão exacerbada.

E esses versos do John Lennon são o remate ideal para este post.

11:57 da tarde  
Blogger Bastet said...

É pois um belíssimo tema para discussão! Concordo em absoluto com o comentário da Pamina. Amor pelo que é nosso deverá significar necessariamente respeito pelo que é dos outros... mas são só palavras, não é? A verdade é que continuamos a viver num mundo cada vez mais amargo e a sofrer o resultado das más globalizações, confundindo identidade com narcisismo, patriotismo com xenofobia... :(

12:02 da manhã  
Blogger Mitsou said...

E como abolir as fronteiras geográficas se as temos já dentro de nós, aqui mesmo na nossa terra? Basta olhar para os bairrismos e regionalismos. O sentimento de posse é terrível! Já o de pertença por vezes desvanece-se...Beijinhos, amiga!

12:45 da manhã  
Blogger Anna^ said...

Faço minhas as palvras da Mitsou,e tb eu muitas vezes n me identifico c este país...q está a ficar cada dia q passa mais pequenino...na mentalidade mas enorme na mesquinhez, no mal dizer...no diz-que-disse.
Parabéns pelo post

bjokas e um bom dia ":o)

11:01 da manhã  
Blogger Maite said...

Bom dia Andorinha, Pamina, Mitsou, Anna, Bastet :)

Pegando na deixa da Pamina:

"Imagine no possessions,
I wonder if you can,
No need for greed or hunger,
A brotherhood of man,
Imagine all the people
Sharing all the world..."

Isto era o pensamento dos hippies nos famosos sixties, idealistas, naifs, enfim...

Eu sou pelas fronteiras, tenho muito orgulho em ser Portuguesa, mas respeito todos os povos e culturas desde que o meu e a minha sejam também respeitados. Como diz o outro "a minha liberdade acaba quando a do outro começa". É aí que está o âmago da questão. Muita gente não conhece esta simples fronteira. De nada vale ser só eu a respeitar se os outros não o fizerem. Porque nesse caso "eu" apenas estou a aniquilar-me para que "outro" me substitua. É que não tenham ilusões mesmo, porque é isso que acontece, infelizmente :(

12:27 da tarde  
Blogger andorinha said...

Olá a todas!

Bastet,
Amor pelo que é nosso deverá significar necessariamente respeito pelo que é dos outros, sem dúvida.
O pior é que em teoria toda a gente concorda, na prática é que já é mais difícil.

Mitsou,
Essa é uma questão pertinente. Bairrismos e regionalismos são descabidos e tão prejudiciais para o próprio bem estar das populações!

Anna^,
É isso.
Obrigada pelas tuas palavras.

Maite,
Ao contrário de ti, não sou pelas fronteiras nem tenho particular orgulho em ser portuguesa, como já referi.
Agora que " a minha liberdade acaba quando a do outro começa" é para mim também evidente.
E é como tu dizes - muita gente não conhece esta simples fronteira e então aí é complicado, aí é que está o busílis.

5:19 da tarde  
Blogger Bastet said...

A mitsou refere um dado muito importante - o bairrismo e o regionalismo que muitas vezes, digo eu, quase raia a estupidez. Veja-se no futebol... assim é de facto abolir fronteiras quando elas começam logo cá dentro...

5:37 da tarde  
Blogger circe said...

Assentando na diversidade e não no
nacional-porreirismo, sentindo um
orgulho enorme de descender de grandes navegadores e perdoando-lhes a cobiça de alguns colonizadores, penso que amo este
País, e nunca me assalta o desejo de ter nascido noutro qualquer.

Parabéns, Andorinha, pela diversidade de temas que nos lanças aí do Berço da Nação.

E como já sabes, detesto bairrismos pacóvios, portanto, aí vai um abraço com todas as cores do arco-íris ;)

Sabias que no pedromalheiros.blogs.sapo, além das magníficas fotos, há uma homenagem à Andorinha? BJ.

7:06 da tarde  

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