quinta-feira, março 15

Dá a surpresa de ser

Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro,
faz bem só pensar em ver
seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem
(se ela estivesse deitada)
dois montinhos que amanhecem
sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco
assenta em palmo espalhado
sobre a saliência do flanco
do seu relevo tapado.

Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gnomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?

Fernando Pessoa

4 Comments:

Blogger wind said...

Quando leio estes poemas de FP, penso que ele não tinha experiência com mulheres, ou então era ingénuo:)
beijos

9:05 da tarde  
Blogger alice said...

não tem nada a ver, mas lembra-me um poema de Manuel da Fonseca que não consigo encontrar e se chama Maria Campaniça. Só me lembro do fim e nem sei se ainda tenho o livro:
..."ai Maria Campaniça
levanta os olhos do chão
que eu quero ver nascer o sol".
E com esta vos desejo bom fim de semana, à "dona" e às visitas deste blog!

4:45 da tarde  
Blogger Su said...

apetece como um barco........

jocas maradas de mar

8:19 da tarde  
Blogger andorinha said...

Wind,
:)))
Beijos

Alice,
Lindo, esse final.
Bom fds, também para ti.
Fica bem:)

Su,
Ai o mar?!
Como eu gosto dele...)
jocas maradas

10:36 da tarde  

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