sexta-feira, janeiro 5

Poema para fim-de-semana

Quantos na minha vida corpos conheci?
Uns de passagem, outros repetidos, outros demorados
a ponto de não querer já conhecê-los ou
conhecê-los fazer que mais agudamente
a outros desejasse. É incrível se se pensa.
E às vezes descendência de primeiros poderá ter sido.
Que me deixaram? Uma ciência inútil,
tão doce e tão amarga, de saber de mais
como corpos se entregam ou se negam.
Que deixei neles? Uma ciência? Culpa?
Uma memória cínica? Saudade?
Ou quando se recordam do amor feito
algum estranho vazio a persegui-los
mais vazio se torna e de vazio estranho?
É isto o conhecer sem nome e sem conversa
em que se estendem corpos antes que o pensar
transforme o amor que é feito
no amor que se apaixona.

Quantos na vida corpos, Jorge de Sena

7 Comments:

Blogger AQUILES said...

Ora bem, o último parágrafo. O último fazia falta, e muita, a uns debates aqui atrasados.
E para a minha "bancada" :):):):)

9:30 da tarde  
Blogger wind said...

Espectacular poema de uma realidade incrível!
beijos

1:55 da manhã  
Blogger Su said...

amei ler..............

jocas maradas e sff de ser feliz

3:00 da tarde  
Blogger José Manuel Dias said...

...a vida é feita de vivências...abraço

5:34 da tarde  
Blogger AMMedeiros said...

Estou atrasada!
Despótico tempo que inventamos para nos infligir e afligir! Mas também para ter o prazer de te desejar grandes vôos, planagens, e repousos neste 2007, Andorinha! No céu não há limite, que em 2007 também não haja!

Muitos mapas desenhamos nos corpos que amamos, muitos outros naqueles que o nosso amam, mas de que rotas se faz o mapa do corpo que transforma o amor feito naquele que apaixona...?
Excelente poema.

Um beijo infinito

11:49 da manhã  
Blogger andorinha said...

Aquiles,
:)))
Um abraço

Wind,
Concordo, o poema é belo.
Beijos.

Su,
Sff de ser feliz tu também:)
jocas maradas

José manuel,
Exacto.
Um abraço

Ammedeiros,
O tempo por vezes é despótico, concordo contigo.
Mas aqui nunca chegas atrasada, chegas sempre a tempo.
Excelente o teu comentário em relação ao poema; é um poema de gosto muitíssimo.

Beijo grande.

12:10 da manhã  
Anonymous Cinda said...

A paixão não pensa. E o amor, às vezes, pensa de mais.

Beijinho doce, amiga! :)

9:26 da tarde  

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