terça-feira, novembro 14

A hora do cansaço

As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nós cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho de eterno fica esse gosto ocre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.

Carlos Drummond de Andrade

12 Comments:

Blogger PAH, nã sei! said...

só para deixar um beijo de boa noite...

11:14 da tarde  
Blogger moon said...

Bonito poema!
Muito adequado para a época que estamos a viver, se me entendes!;)
Beijinho

11:37 da tarde  
Blogger wind said...

Esse belo poema é bem real e sempre actual:)
beijos

12:17 da manhã  
Blogger Su said...

amei ler..reler....
gostei amiga
jocas maradas para ti e cuida.te

8:55 da tarde  
Blogger AQUILES said...

«Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade»
Esta é a chave do poema. E é também a barreira da aspiração.

11:42 da tarde  
Blogger andorinha said...

Pah,
Um beijo grande para ti:)

Moon,
Então não entendo?:)
Beijinhos

Wind,
Concordo.
Beijos

Su,
Ainda bem que gostaste, amiga:)
jocas maradas

Aquiles,
Excelente análise, não poderia estar mais de acordo.
Um abraço

12:50 da manhã  
Blogger Rosa said...

Tudo é eterno até que termine. Penso eu de que... Quices!!

3:06 da tarde  
Blogger AMMedeiros said...

Intemporal e lindíssimo.

Um beijo



PS: Andorinha, apenas para te informar que já votaram em ti ;))

5:18 da tarde  
Blogger andorinha said...

Rosa,
Plenamente de acordo.
Andamos a concordar muito, que se passa?!:)
Besitos.

Ammedeiros,
Dois adjectivos que definem bem o poema:)
Um beijo.

Em mim???!!!
Já lá vou ao teu cantinho.

12:22 da manhã  
Blogger iuri said...

Para com quem se depara com os "alérgicos ao para sempre" eu vejo neste poema uma explicação simples e requintada ao mesmo tempo. Talvez o use no futuro para tentar demonstrar que dizer "para sempre" é um desejo sincero e não uma ordem do universo que nada poderá quebrar...

E quem não gostaria de ouvir um "para sempre" sincero? mesmo sabendo que "o infinito é variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade".
A nossa vida é efemeramente eterna, desde que a vivamos como tal...

Boa noite :)

4:13 da manhã  
Blogger andorinha said...

iuri,
Podemos dizer "para sempre" e devemos tentar que seja para sempre; se não for, foi eterno enquanto durou.
Gostei muito da tua última frase: "A nossa vida é efemeramente eterna, desde que a vivamos como tal..."

11:49 da tarde  
Blogger iuri said...

:)

2:42 da manhã  

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